O verdadeiro ensinar!

Quando eu era jovem, tinha uma memória fotográfica maravilhosa. Eu estudava para uma prova e tirava fotos na minha mente das páginas que estava lendo do livro. Realizei muitas provas nas quais, ao término de cada questão escrevia: "A resposta para isso pode ser encontrada na página 54, no canto superior direito abaixo da ilustração.” Alguns professores vibravam com a minha memória fotográfica outros achavam que eu estava tirando uma... Fui até parar na diretoria por conta disso. Mas na verdade, eu era uma jovem que estava de alguma forma dizendo que, aquela imagem em minha mente não estava tão clara que eu pudesse apenas reunir a partir dela as informações de que precisava. Eu estava dizendo que na verdade eu não estava aprendendo nada!
Em uma busca sem fim para quantificar e qualificar de alguma forma o que as crianças sabem, os adultos muitas vezes podem se ver adotando uma abordagem muito rudimentar para ajudá-los nessa busca. Muitas vezes nós pedimos que as crianças repitam informações (por meios verbais ou escritos) sem analisá-las ou compreendê-las.
Se a criança puder fazer isso, nós adultos de alguma forma sentiremos confiança de que atingimos nossos objetivos. Mas o que é o verdadeiro saber? Não é mais do que isso? Não é a maneira como adaptamos nossos pensamentos de acordo com nossas próprias experiências, e como aplicamos novos conhecimentos a experiências diferentes?
Às vezes, precisamos encontrar algo muitas vezes e vê-lo de muitas maneiras diferentes antes mesmo de se tornar algo que possamos incorporar ao nosso pensamento.
E se permitíssemos que as crianças sentassem com ideias sobre o mesmo assunto, por mais de um dia ou uma semana? E se os encorajássemos a comunicar o que sabem por meio de modalidades expressivas que lhes ocorressem naturalmente? E se lhes dermos tempo para aplicar seus conhecimentos a novos contextos e problemas?
Sabe, uma das belezas do HS é justamente ter o tempo a nosso favor... é poder trabalhar o mesmo assunto de diferentes formas... é poder retomar quantas vezes forem necessárias até que de fato a criança compreenda e realize a transcendência.

Será que estou maluca na minha forma de pensar? Não sei... O que sei é que desejo que minhas filhas não se sintam como eu me sentia... perdida, simplesmente devorando um livro para provar que eu sabia o conteúdo e depois de uma semana nem lembrar do que “aprendi”... Famíliar isso não?


Comentários (0)


Deixe um comentário